quinta-feira, 28 de julho de 2011

Coisas que me passam pela cabeça II

Por vezes achamos que estamos a dizer tudo, que estamos a ser sincer@s, que aquilo que sentimos é um livro aberto, no entanto, a maioria das vezes não dissemos tudo o que queríamos, não mostrámos o que devíamos ter mostrado, não corremos atrás da felicidade porque achamos que isso pode ser o rebaixar do Eu.

Por vezes achamos entender os olhares, as palavras, os silêncios alheios porque somos muito perspicazes, porque entendemos muito de psicologia, mas a verdade é que estamos a ver com os nossos olhos, aqueles que vêem apenas o que lhes interessa, consoante os princípios que os regem.

Por vezes as nossas leis divergem quando pensamos em nós e quando pensamos nos outros.

Por vezes a falta de diálogo efectivo, mesmo que se passem horas a falar, é aniquiladora, porque interpretamos mal, porque entendemos mal, porque a mensagem nunca é recebida na íntegra, porque o subentendido nunca é igual para duas pessoas, porque o "ele/a devia ter entendido" é um erro, porque nem quando falamos com todas as letras o que se diz é claro, porque os sentimentos nos traem, porque as atitudes nem sempre revelam o que realmente pensamos e sentimos, porque, por vezes, tentamos racionalizar demais aquilo que devia ser espontâneo, aquilo que deveríamos fazer sem estar a pensar que "isso vai-me diminuir" ou seja lá o que for.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Coisas que me passam pela cabeça

Arrependimento - s.m. (de arrepender + sufixo - mento) 1. Sentimento de remorso que acompanha a atitude daquele que reconhece uma culpa ou um erro cometido. = Pesar, Remorso. 2. Acto de voltar atrás de uma decisão tomada, mudança de opinião ou vontade. 3. Rel. Sentimento de pesar por pecados cometidos e propósito de não voltar a incorrer neles. = Contrição.

Arrependimento não é sinónimo de fraqueza, mas sim de maturidade, de reconhecimento, de crescimento, de querer lutar.

Música de sempre



E Depois do Adeus

Paulo de Carvalho

Composição: José Niza

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.
Tu viste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.

Trelas para as feijocas


O título poderia ser "Segurança para as feijocas", ficaria mais bonito, mais politicamente correcto, mas a verdade é crua e dura, por isso optei por "Trelas para as feijocas", é feio, é rude, mas é a verdade.
Hoje, finalmente, consegui comprar as tais trelas para crianças e a isto chamo de segurança.
Lembro-me perfeitamente que a primeira vez que vi um pai a utilizar este método com o seu filho fiquei num primeiro momento escandalizada "Que horror, mas o filho é algum animal para andar de trela?", todavia, assim que este pensamento teve a sua verbalização mental, observei, estaquei e reformulei o pensamento "Segurança. É disso que se trata. Não é bonito de se ver, choca, mas mais importante do que isso é ter a certeza de que o nosso filho não vai fugir, não vai a correr de repente para o meio da estrada, não se perde numa confusão, etc", é claro que os Velhos do Restelo dirão que tudo se prende com a educação e que se educarmos os nossos filhos para que eles não nos larguem a mão, nada de mal acontecerá e que a utilização das trelas é uma desresponsabilização de pais e filhos e contraproducente relativamente à autonomia da criança. Que o digam! A mim parece-me que nada exclui nada. A primeira coisa que faço com as catraias assim que saio da porta é pegar-lhes na mão e tenho incutido isto em todos os momentos, mesmo que seja um trajecto completamente seguro, sem estradas, etc, etc, etc, quero sempre que elas andem de mão dada comigo, no entanto, parece-me que tenho que pensar um pouco mais além e tentar prevenir situações eventualmente perigosas, por exemplo, quero ir sozinha com elas à praia, quero ir sozinha à feira medieval, quero passear num sítio qualquer, como é que faço se uma me foge? Posto isto, há que haver uma solução de emergência.

Vou ter olhares recriminadores na rua - PACIÊNCIA - as miúdas já não conseguem estar muito tempo no carrinho, querem andar, portanto nada melhor que liberdade com rédea curta (literalmente).

terça-feira, 26 de julho de 2011

O texto é longo, mas vale a pena (mais uma vez a educação)

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.


Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.


Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.


Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.


Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?


Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.


Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.


Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.


A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.


Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.


Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.


Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.


Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.


O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.


Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.


Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.


Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.


Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.


(Eliane Brum)

sábado, 23 de julho de 2011

Exames III

Hoje foi o dia do outro exame, do temido exame e foi HORRÍVEL, HORRÍVEL, HORRÍVEL, HORRÍVEL, HORRÍVEL, HORRÍVEL, PENSEI QUE IA MORRER!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Na cama com...

De terça para quarta fomos cinco na mesma cama, sim cinco, eu, ele, as feijocas e o gato. Às vezes acontece. Desta vez o final não foi muito feliz, a feijoca S acabou por cair da cama abaixo tal é o seu mal-dormir.

Esta noite foi "ora-agora-vem-uma-e-depois-a-outra". A I. esteve comigo das 21h30 até às 2h, hora em que veio a S. que permaneceu até às 5h. Isto é uma beleza!

Quando é que posso fazer uma cura de sono, hum? Já era altura de ter os sonos em dia, não?