terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ressequimento


Tudo começou quando a terra ficou saturada de tanto trabalhar.
As plantações eram sucessivas e ela não respirava. Um dia, o agricultor plantou um pé de feijão muito forte e que lhe sugava toda a água que ainda lhe restava e como esta nova plantação era frágil, a terra canalizou para aí toda a energia, e as outras plantações, principalmente a macieira do centro, ressentiram-se. O agricultor nada fazia ao ver a terra ressequida. Ficava só a olhar a, para ela assustadora, queda da colheita, preocupando-se, principalmente, com aquilo que pouca relevância tinha quer para a macieira, quer para o pé de feijão. A terra sentia-se cada vez mais despovoada e sem capacidade para se autorregenerar.


Ela sabe que em breve nenhuma maçã sobreviverá e que agora já nada pode acontecer para que a sua produtividade volte a ser o que era antes.


A terra transformar-se-á em deserto. Só o pé de feijão vingará, mas sem a força que devia, porque a terra que o sustenta está morta por dentro.

Dor-dupla

Para além da dor-fria que se instalou após a verbalização e que permanece sem esperança, hoje existe uma outra dor, a dor-mãe que não pode ir ao lanche para os pais no "infectário" das feijocas.


Hoje não está nada bom, nada bom mesmo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A ti, SL

Há pessoas que se cruzam na nossa vida e por quem sentimos uma química imediata, com quem nos identificamos e gostamos de conversar, assim como há aquelas por quem sentimos um asco inevitável, mesmo que elas nunca nos tenham feito mal. São sentimentos que não se explicam. Alguns dirão que são resquícios de vidas passadas.
Há pessoas que fazem com que, de repente, as palavras escondidas, nunca reveladas, comecem a sair em catadupa e desvendamos aquilo que materializado assume um peso maior porque foi verbalizado.
Há ligações que se criam inconscientemente.
Há situações iguais às nossas e que convivem ao nosso lado sem que (quase) nos apercebamos disso.

Obrigada por hoje.
Desculpa por hoje.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Hoje...

..............................................................................................................................
............................................................................................................................................................................................................................................................
... o coração não bateu mais forte, o sangue não correu desenfreadamente, as palavras custaram a sair. O ideal-real-agora-indesejado continua a habitar-me, mas apenas como hóspede a quem não queremos transformar em sem-abrigo pelo costume de o albergar.











Os anos passam. 40. Parabéns.


Joana Cato

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Desmontagem do que é a publicidade










Nota - tenho tanta coisa para dizer, mas não tenho tempo para o fazer. Melhores dias virão!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Soltas das feijocas


Há uma semana atrás quando dava banho à I. surgiu esta linda conversa:
I. - Mamã, fofolate.
Eu - O quê, bebé?
I. - Fofolate.
(Eu a olhar para ela e a tentar descortinar que raio de palavra é que ela me queria dizer e ela a repetir vezes sem conta o "fofolate" até que se fez luz.)
Eu - Queres dizer chocolate, filha?
I. - Sim, mamã! (a sorrir)
Eu - Tu comeste chocolate, bebé? (incrédula)
I. - Sim, mamã! (sorriso rasgado)
Eu - Quem é que te deu chocolate, filhota? (a engolir em seco e já a pensar em desancar alguém naquele infantário, porque sabem que eu não quero que deem doces às minhas feijocas)
I. - A Maía.
Eu - A Maria? Quem é a Maria, é uma amiguinha tua?
I. - Sim!
(Percebi tudo. A dita Maria devia estar a comer pão com chocolate e deu a provar à minha I.)

No dia seguinte, no infantário, decidi averiguar a situação para saber se a minha princesa me tinha relatado tudo bem ou não e, segundo as auxiliares, a história confirma-se, pois a meio do lanche viram que a I. tinha chocolate no canto da boca e elas garantem não lhe ter dado nada disso, a menos que a companheira do lado, a Maria, o tivesse feito.

Conclusão 1 - a catraia até me conta a verdade.
Conclusão 2 - está tudo estragado, a miúda já sabe o que é bom!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Prendas artesanais

Ora aqui está um novo sítio onde podemos encontrar coisas giras para oferecer.