Ontem, passei pelo maior susto, até agora, com a minha feijoca S.
Quando cheguei da maldita Assembleia Geral do Infantário, encontrei a minha princesa completamente prostrada, sem forças, a querer dormir. Tinha estado a vomitar e tinha caído da cama. Na minha presença vomitou mais três vezes. Todos os sintomas apontavam para traumatismo craniano. Telefonei para a saúde 24, só mesmo para confirmar que não a podia deixar dormir e, para mal dos meus pecados (e confirmação do que digo sempre), não tinha aqui o carro com as cadeiras. Tive que mandar o pai vir a correr do estádio da luz e aquela meia hora foi torturante.
Fomos para o hospital.
Quatro piscas.
Sinais de luzes.
Demorámos uns cinco minutos a chegar.
19h40.
Inscrição.
Alerta para o fax da saúde 24.
Em dois minutos foi chamada.
Vomitou bílis na triagem, após a consulta a média considerou que era melhor fazer uma TAC, ou seja, a coisa era séria (sim, já é a segunda vez que vou para o hospital com ela por suspeita de traumatismo craniano), e desde o início senti que, desta vez, a situação era mais grave.
Pelas características deste exame ela teve que ser sedada. Estupidamente, tentaram a sedação via oral, estupidamente, porque em poucos minutos ela vomitou tudo. Ainda tentámos fazer o exame sem sedação, o que se revelou impossível, porque por mais sonolenta que ela estivesse, após os quilómetros que fizemos desde o consultório até à sala do exame, e depois dela ver aquele aparato todo, ninguém a fazia parar. Voltámos a percorrer os quilómetros para as urgências.
Esperámos.
Ela cheia de sede e eu sem lhe poder dar água.
Desesperámos.
Ela sedenta.
Nova decisão - sedação via nasal.
Alertei a médica de que o melhor seria irmos para o local do exame antes de dar a sedação, porque o caminho até lá só a fazia acordar. Mais meia hora de reflexão, até que a médica me disse que íamos fazer como eu tinha dito e que desta vez e S. iria deitada na maca. Quando lá chegou estava quase a dormir. Sedá-mo-la. Daí a poucos minutos, olhei para a minha filha e vi, numa criança de dois anos e meio, um sorriso de alguém completamente pedrado. Mesmo assim, sabia que, seria necessário ela adormecer, caso contrário, assim que ela visse a máquina do exame, o pranto iria recomeçar.
Ela nunca adormeceu.
Fez-se o exame.
Ela mexeu-se.
Repetição.
Fim do exame.
Caras pouco convictas da fiabilidade da TAC realizada.
Voltámos ao ponto de partida.
Esperámos pelo resultado do exame.
Desesperámos pelo resultado do exame.
Ela sedenta e faminta.
Começaram os gritos, choro, "trepadora" a implorar água.
Sinal verde para a água, mas apenas uma colher de 5 em 5 minutos.
Ainda foi pior.
Ela sabia que eu, afinal, até tinha água e que não lhe estava a permitir que bebesse.
Médica-chefe veio ver o que se passava. Pediu-me para ir um pouco para a sala de espera, para ver se ela se acalmava (não se esqueceu de lembrar que existiam ali outros meninos que precisavam de descansar e que ela os estava a perturbar. Eu sabia disso, eu percebia isso, mas eu também já percebi que ninguém cala a S. quando ela está neste ponto).
Saímos.
Voltámos.
Saímos.
Voltámos.
O resultado tinha chegado. Aparentemente não tinha sido detetado traumatismo, embora algumas imagens da TAC não estivessem percetíveis. Foi-me dado um documento com orientações para os casos de traumatismos cranianos e o alerta para se alguma coisa acontecesse, ir imediatamente para lá.
Só acalmou, para voltar a ficar perturbada, quando chegámos ao carro e começou a perguntar pela irmã. "A I.?" disse ela inúmeras vezes. Expliquei-lhe que a "mana" estava em casa e que quando chegássemos ela ir-lhe-ia dar o beijinho de boa noite.
23h50
Chegámos a casa. Ela queria comer e beber água. Dei-lhe alguma coisa, mas pouco.
Dormiu na nossa cama.
Hoje passou por fases.
Houve uma altura (à hora do almoço) que estive quase para ir novamente para o hospital, mas respirei fundo, e acreditei que aquela semi-prostração seria ainda um resquício do dia anterior. Depois as coisas normalizaram.
Amanhã ainda é dia de vigilância.