quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A S. e o teatro




Parece que a coisa está a melhorar... a passos pequeninos, mas a melhorar...

No sábado fomos à aldeia do Natal e, se ao início houve choro e gritos e tremores e súplicas para virmos para casa, depois da primeira volta ao espaço, ela já não queria sair das casinhas dos duendes (claro, desde que isso significasse não ter uma grande interação com essas pessoas estranhas de caras pintadas e vestidas de maneira diferente!!!).

Ontem, foi ao teatro com a escola e parece que de início chorou, berrou, enfim, o filme do costume, mas depois aninhou-se a uma das auxiliares e viu a peça até ao fim.
Nota importante - quando conversámos na viagem de carro para casa, confessou-me que tinha gostado do teatro!


Já vejo luz ao fundo do túnel! A miúda, que é uma teatreira de primeira, há-de gostar de teatro!



P.s. - Hoje, havia um recado de mau comportamento no placard da sala delas. Dizia mais ou menos isto "A S. não pode entrar na Biblioteca, porque rasgou três folhas de um livro. Estamos todos muito tristes." Ai!!!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Carroça ao poder!



 Depois de pagar 414€ pelo arranjo do mais pequeno e ter a previsão de cerca de 2000€ pelo arranjo da maior, estou a pensar seriamente em começar a andar de carroça (provavelmente um burro ou um cavalo sai-me mais barato!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Comunicação

 

Falar faz muito bem... mas os monólogos são do pior que existe!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Palavras dos outros que encaixam - II

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Palavras dos outros que encaixam

Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

domingo, 2 de dezembro de 2012






























Há momentos em que temos perfeita consciência de que o fim é inevitável.