quarta-feira, 6 de março de 2013

Rabo quadrado

O rabo e a coluna doem descomunalmente.
Estou desde as 11h até agora sentada a corrigir testes (pausa de 30 minutos para almoço e das 17h30 às 21h para cumprir a função de mãe, função essa que nestas alturas é mesmo e só "função", sempre a pensar que não podem ficar doentes, nem podem custar a adormecer, nem podem chamar quarenta e sete vezes durante a noite, nem nada de nada, porque os testes e trabalho imperam, sempre).
O paraíso seria dizer que após todas estas horas tinha corrigido os 130 que me esperam... mas não... após esta maratona apenas 26 ficaram (quase) corrigidos (falta contar palavras e verificar um ou outro pormenor).
Foram aproximadamente 9 horas sentada a corrigir testes e apenas 26 estão (quase) corrigidos!?!?

E quem disser que os professores têm muitas férias e que não fazem nada e não percebem do que é que se queixam, só tenho uma coisa a dizer, não, afinal tenho duas...

Vão à merda e calcem os meus sapatinhos durante uma semana, uma semaninha apenas e vão ver que enlouquecem em três tempos!

Agora vou dormir, porque já não consigo ler nem decifrar caligrafias, porque me dói o corpo todo, porque amanhã é um dia duro, porque a noite passada foi de gritos, porque amanhã trarei mais 75 fichas para corrigir, e depois de amanhã mais 28 e 2ªfeira mais 27, porque estou a dar o tilt.



Bullying


Ontem, elas disseram-me que a educadora estava muito "chateada" com elas. Falaram de uma bandolete e do nome de uma das amiguinhas. Disseram que tinham estragado a bandolete. Foi uma conversa insistente e, por isso, disse-lhes que hoje falaria com a educadora para saber o que se tinha passado.


Mal cheguei, a educadora confirmou-me que estava muito zangada com elas e explicou-me. Ontem, o pai da tal amiguinha tinha dito que a miúda tinha pesadelos à noite e que não queria ir para a escola porque as minhas feijocas e a SB (comparsa desde sempre) lhe estavam sempre a bater! Sim, as três juntam-se e batem na outra.
Temos caso de bullying aos três anos.

Quando me queixo delas, tenho razão. Eu sei o calibre destas meninas.



Escuso de dizer que fiquei para morrer e que tive vontade de as trucidar.

Mas também não deixei de dizer, em forma de recado, que sempre que elas chegam a casa com a história de que esta ou aquela lhes bateu que elas devem dizer à educadora e não bater de volta. É que não são só elas que batem, elas também levam.(Não, não estou a desculpabilizar ninguém, mesmo por que estou a ver a cena das três em cima da outra, contudo, também não me agrada que elas recebam o rótulo.)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Renovação do léxico


Se a utilização continuar frequente, como tem sido nos últimos dias, a minha I. vai conseguir que uma nova palavra seja incluída no léxico português:
- nadíssima.
A rapariga é inteligente, afinal, já domina a regra do grau superlativo absoluto sintético dos adjetivos (só não sabe que "nada" não é adjetivo, mas que importância isso tem se, na verdade, ela está a criar um recurso estilístico com evidente expressividade!?)

Talvez lhe possa ser atribuída, aos três anos de idade, a equivalência à licenciatura de Línguas e Literaturas Modernas variante de Estudos Portugueses, porque não?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Andar de bicicleta


Ontem foi a estreia na rua!
Levámos as bicicletas para um parque (semi)adequado (as curvas têm uma inclinação ligeiramente acentuada que provoca alguns danos...).
Andaram um bocadinho e passados cinco minutos estavam as duas no chão. A S. na estrada, melhor, na curva da estrada (ligeiramente acentuada), a I. na berma, mais concretamente, no meio das ervas.
Até nisto meu Deus! Uma cai e a outra passados 30 segundos, se tanto, cai também.
Oh sorte!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Como resolver questões de dinheiro aos 3 anos!


Hoje, a I. dizia-me:
-Mãe, tens que comprar uvas.
Olhei para ela e, como tantas outras vezes, expliquei-lhe que não me pode dizer "Tens que comprar", mas sim "Podes comprar", porque somos pobres e não temos dinheiro, logo, ela não pode achar que eu "tenho" que comprar.
Resposta pronta dela:
- Então, tu fazes uma coisa. Vais aos senhores que têm dinheiro e eles dão-te o dinheiro.

E esta, hein?

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Cansadinha

Sou sempre uma defensora da classe. Tento por tudo desculpar os erros alheios e tentar compreendê-los. Sou até capaz de camuflar a incompetência ou falta de profissionalismo de muitos... mas há um limite, bolas, e não me venham sacudir a água do capote.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O "eu" e o "outro"



Costumo dizer que o trauma da S. relativamente ao teatro vem desde o primeiro ano de vida, altura em que viu uma animação numa feira medieval que incluía um leproso que literalmente saltou para cima dela. Desde aí, a rapariga chora, grita, esperneia e nunca quer ver teatro. Ultimamente as coisas até estavam a melhorar, pensava eu, até que ontem estava a mostrar-lhe um trailler de uma peça antiga que fiz, tal como as fotografias. Foi o caos. Começou a chorar, aos berros, a dizer que estava lá outra pessoa, que me queriam fazer mal, etc, etc, etc.

Poderia dizer muitas coisas acerca disto, mas vou limitar-me a uma.

Quando olho para as minhas fotografias (ou filmagens) não me reconheço. Aquela não sou eu, é a outra, a personagem, com posturas, olhares, palavras, entoações, energias diferentes das minhas. Já me tiraram fotografias durante ensaios enquanto estava apenas a assistir e quando já estava a ensaiar e a diferença é claríssima. Nas primeiras reconheço-me, é a minha cara, sou eu mesmo, mas nas segundas é como se o "eu" não estivesse mais lá e é o "outro" que assume o poder. A verdade é que há uma transmutação.


A minha S. preocupa-me.