sábado, 6 de abril de 2013

Soltas das feijocas

Ontem, em pleno Pingo Doce, a I., ao ver uma certa senhora num dos corredores, grita:
- Olá senhora castanha!



Não sei se a senhora ouviu.
Apressei o passo e só lhe disse para ela se calar!



Acho que se houvesse um buraco enfiava-me nele.



Pensamento positivo da história - a rapariga não é daltónica.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Não fui feita para isto

A verdade é esta:
Não fui feita para festas.

Espero sobreviver a esta semana.

Mas por que motivo continuo a meter-me nisto?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dentes do siso

 
Com a minha idade (sim, já estou a ir para velha), os dentes do siso deveriam ter nascido há muito, no entanto, tal nunca aconteceu! (Talvez seja por isso que eu sou como sou!!! A sabedoria popular não diz que estes são os dentes do juízo?)


Na última ida ao dentista e após uma radiografia, o senhor-de-riso-histérico-e-que-não-para-de-falar-e-de-fazer-perguntas-enquanto-eu-estou-de-boca-aberta-e-não-lhe-posso-responder mostrou-me a dita radiografia e disse apenas:
- Espero que os seus sisos nunca queiram nascer!
De facto, a coisa está negra e o pior é que há dois dias que ando com uma dor bem no sítio do siso...
Até estou a tremer!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Contemplação - precisa-se


Preciso de momentos de contemplação.
Vir a esta praia.
Ficar assim.
Sentada.
Olhar o infinito.
Pensar no passado que não volta. Mesmo estas ondas que vão e vêm nunca são as mesmas. Há água que desiste da sua luta e fica na areia e a outra, a que volta para trás e vem novamente, transforma-se e encarna ondas diferentes.
Às vezes, penso que fiquei lá longe e que desconheço o caminho para o hoje. Não me sinto daqui. Ficaram tantas coisas por resolver. Continuei sempre a caminhar sem parar. O tempo aniquilou-me e eu deixei que ele me aniquilasse. Entrei neste rodopio sem pedir licença e sem paragens em estações e apeadeiros. A minha vida é um TGV (não aquele shot que tantas vezes consumi sem efeito nenhum, mas o comboio de alta velocidade que sem pensar chega a um destino que não se previu ou quis plenamente).
Às vezes, tenho medo de pensar. Quando penso, tudo é posto em causa e tenho medo das conclusões.
Não fiz tudo o que queria ter feito.
Não me dediquei a tudo o que me chamava.
Calei sempre o grito que hoje deixou de ter voz.
Ando por atalhos e colho migalhas daquilo que poderia ter sido e nada me contenta e nada me completa e nada me torna eu e nada é o que deveria ser e tudo é minado e apodrece.
Precisava tanto de vir a esta prai mais vezes.
Ficar assim.
Sentada.
Olhar o infinito.
Pensar no futuro.

27.março.2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

A minha tia Carlota


Hoje, a minha tia que foi avó faria anos.
A minha tia Carlota a quem eu dizia, desde miúda, que teria que ir ao meu casamento com um vestido até aos pés e uns brincos compridos.
A minha tia Carlota que fazia aquela torta maravilhosa e com quem nós brincávamos dizendo "a torta da Carlota"e ela ria (isto se não fosse o meu pai a dizer, nesse caso ela tinha sempre uma resposta pronta!).
A minha tia Carlota que era tesa, forte, inabalável, convicta.
A minha tia Carlota mal amada mas porto seguro de todos.
A minha tia Carlota que se enchesse um copo com água e não a bebesse toda guardava o resto para quando tivesse sede novamente.
A minha tia Carlota que aproveitava tudo e nada era deitado fora ou desperdiçado.
A minha tia Carlota que tinha galos e coelhos e pássaros e gatos.
A minha tia Carlota que fazia bolos amarelos por causa dos ovos postos naquele dia, e que fazia um arroz com chouriço como nunca comi.
A minha tia Carlota que tinha uma gargalhada inconfundível.
A minha tia Carlota que era uma MULHER de verdades, de certezas, de garra, de pulso.
A minha tia Carlota que sempre fez tudo, sozinha, sem ajuda.
A minha tia Carlota que nunca perdeu a consciência e foi sublime até ao fim.
A minha tia Carlota que esperou por mim para um último adeus.
A minha tia Carlota que nunca teve filhos mas que foi mãe e avó e tia e companheira e mulher e amiga e inspiração e exemplo.
A minha tia Carlota que nasceu no dia certo porque ela era vida e sangue e suor e lágrimas e riso e força e muita força.
A minha tia Carlota que continua a ser a matriarca que ninguém esquece.



Nota: Não foi de vestido comprido até aos pés nem de brincos compridos ao meu casamento, mas foi linda, digna, sublime, com a sua elegância de oitenta e muitos anos.

segunda-feira, 25 de março de 2013

quarta-feira, 20 de março de 2013

?



Se alguém encontrar por aí a pessoa que já fui, avise-me, que eu já não sei onde ela está...