terça-feira, 23 de abril de 2013

Palavras que matam






cansaço





fracasso




(aliteração fatal)

domingo, 14 de abril de 2013

Porta fechada


Há portas que se fecham num momento em que nem conseguimos precisar, apenas sabemos que estão fechadas e que a chave para as trancar está em local incerto, mas a gritar por nós. Depois, uma parte de nós apazigua-se pela decisão tomada, embora a verbalização não seja fácil, já que a outra parte de nós sussurra o fracasso da jornada. Enquanto a porta não se trancar e se atirar a chave para um mar sem fundo, não se vive, sobrevive-se sem cor.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Roupa com nódoas*

 
Há nódoas que não saem da roupa e que me perturbam. Lavo e torno a lavar e a nódoa está sempre lá, imaculada. Se não gosto da roupa, é fácil, não visto, deito fora e não penso mais nisso. Mas se gosto da roupa, se acho que ainda a posso e devo vestir, se acho que ainda posso viver maravilhas com aquele trapinho, adoto duas posturas: ou visto a roupa mesmo com a nódoa, não me importando com aquilo que os outros possam pensar, afinal eu gosto da roupa e isso basta, ou faço umas alterações à indumentária, do género coser uns botões em cima da nódoa, tingir a roupa, colocar um lenço que a tape ou um casaco, enfim, invento. É claro que a nódoa está lá e provavelmente ficará para sempre, mas há sempre maneira de contornar a questão. 
Ninguém é perfeito. Todos temos e provocamos nódoas.  


* ou pequeno tratado sobre a mágoa
(latim vulgar *macella, diminutivo de macula, mancha, nódoa)

s. f.

1. Efeito de magoar.
2. Mancha ou nódoa resultante de contusão.
3. [Figurado]  Tristeza; desgosto; dor de alma; amargura.
4. Pêsame; condolência.  (Priberam, dicionário)
 
 
Sim, queridos, este é especialmente pensado em ti e em ti. Não precisava de dizer, pois não?

sábado, 6 de abril de 2013

Soltas das feijocas

Ontem, em pleno Pingo Doce, a I., ao ver uma certa senhora num dos corredores, grita:
- Olá senhora castanha!



Não sei se a senhora ouviu.
Apressei o passo e só lhe disse para ela se calar!



Acho que se houvesse um buraco enfiava-me nele.



Pensamento positivo da história - a rapariga não é daltónica.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Não fui feita para isto

A verdade é esta:
Não fui feita para festas.

Espero sobreviver a esta semana.

Mas por que motivo continuo a meter-me nisto?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dentes do siso

 
Com a minha idade (sim, já estou a ir para velha), os dentes do siso deveriam ter nascido há muito, no entanto, tal nunca aconteceu! (Talvez seja por isso que eu sou como sou!!! A sabedoria popular não diz que estes são os dentes do juízo?)


Na última ida ao dentista e após uma radiografia, o senhor-de-riso-histérico-e-que-não-para-de-falar-e-de-fazer-perguntas-enquanto-eu-estou-de-boca-aberta-e-não-lhe-posso-responder mostrou-me a dita radiografia e disse apenas:
- Espero que os seus sisos nunca queiram nascer!
De facto, a coisa está negra e o pior é que há dois dias que ando com uma dor bem no sítio do siso...
Até estou a tremer!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Contemplação - precisa-se


Preciso de momentos de contemplação.
Vir a esta praia.
Ficar assim.
Sentada.
Olhar o infinito.
Pensar no passado que não volta. Mesmo estas ondas que vão e vêm nunca são as mesmas. Há água que desiste da sua luta e fica na areia e a outra, a que volta para trás e vem novamente, transforma-se e encarna ondas diferentes.
Às vezes, penso que fiquei lá longe e que desconheço o caminho para o hoje. Não me sinto daqui. Ficaram tantas coisas por resolver. Continuei sempre a caminhar sem parar. O tempo aniquilou-me e eu deixei que ele me aniquilasse. Entrei neste rodopio sem pedir licença e sem paragens em estações e apeadeiros. A minha vida é um TGV (não aquele shot que tantas vezes consumi sem efeito nenhum, mas o comboio de alta velocidade que sem pensar chega a um destino que não se previu ou quis plenamente).
Às vezes, tenho medo de pensar. Quando penso, tudo é posto em causa e tenho medo das conclusões.
Não fiz tudo o que queria ter feito.
Não me dediquei a tudo o que me chamava.
Calei sempre o grito que hoje deixou de ter voz.
Ando por atalhos e colho migalhas daquilo que poderia ter sido e nada me contenta e nada me completa e nada me torna eu e nada é o que deveria ser e tudo é minado e apodrece.
Precisava tanto de vir a esta prai mais vezes.
Ficar assim.
Sentada.
Olhar o infinito.
Pensar no futuro.

27.março.2013