quinta-feira, 17 de julho de 2014

Eternamente

Um dia, numa estação de comboios, ela disse-lhe:
- Vai ser sempre assim, podemos mudar de rumo, conhecer outras pessoas, sei lá, mas havemos de ser velhinhos, tu careca, eu com o meu cabelo anil e continuará sempre igual.

Ainda não são velhinhos, mas já passaram vinte e dois anos e continua tudo igual. É como se esse passado longínquo tivesse sido mesmo ontem e não existissem barreiras para a ilusão. Sim, eles sabem que tudo não passa de uma ilusão. Se a realidade da pasta de dentes tivesse existido, provavelmente hoje seria hoje sem espaço para o outrora. Mas não aconteceu assim, e hoje, está tudo igual.

Joana Cato

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Telepatia



Ir a Roma e não ver o Papa. Resistir a vê-lo. Não fazer qualquer esforço para que isso aconteça. resistindo.

Dois dias depois, o Papa manifesta-se, sem que nada pudesse prever.

O que dizer daquilo que é puramente telepático?
Não se explica. Existe - só.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Som k

Hoje, de repente, à saída do banho a I. disse "casa" corretamente! Ela disse o som k! Foi uma festa. Gritei, pulei, ri, dei abraços, beijinhos, apertei-a, foi o delírio. Ela tem que pensar que vai dizer o som, mas já percebeu como é que tem que colocar a língua para o fazer!!! Que maravilha! Estou tão contente.





nota - escusado será dizer que a S. teve um ataque de ciúmes por estarmos a fazer aquela festa e agora diz que também quer ir à terapeuta da fala! Enfim!

quarta-feira, 25 de junho de 2014

À Camões

Estou à Camões. Mais moderna, vá! Em vez de uma pala tenho um penso daqueles que os miúdos pequenos costumam usar.  E tudo porquê? Porque decidi enfiar um envelope no olho e consegui rasgar a película do olho (que tem um nome esquisito e eu já me esqueci para variar!). É extraordinário!

Nota 1 - Pode ser que me transforme numa poeta* de renome pela influência do adereço.
Nota 2 - Acho que demorei meia hora a escrever isto, tal é o esforço em manter apenas um olho aberto.

*poeta em vez que poetisa - completamente intencional e consciente. Não gosto da palavra poetisa, nunca a uso.

sábado, 21 de junho de 2014

E desta vez?

Pelos vistos, desta vez está tudo igual. "Está aqui uma garçonette a tentar um pouco de avant-guard" e nada. O comentário, o olhar, a sensação é a mesma. Nunca estarei bem e diferente... e a facada que sinto é tão profunda... Eu tento tanto, eu quero tanto e nunca é suficiente.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Inspira - expira

... a respirar só um bocadinho, mas um bocadinho tão bom!


... para respirar ainda mais um bocadinho, precisava de dormir, nem que fosse só por uma noite, umas 8 horinhas de seguida.




P.S. - Não te quero ver, querida-estúpida-caneta-vermelha durante os próximos tempos, sim?



sábado, 31 de maio de 2014

A minha vida é feita de sensações

De repente, ela estava ali ao meu lado. Fechei os olhos e era como se fosse ela. O seu perfume. A sua presença. Abri os olhos e até a figura se assemelhava. A postura. O cabelo. Os óculos. O perfume. O mesmo perfume. As memórias habitaram-me novamente.






Madrinha, que saudades! Onde quer que estejas, continuas presente em mim.