domingo, 23 de dezembro de 2018

O dia em que morreres...

Atormenta-me não saber o dia da tua morte.
Quando tu morreres, eu não vou saber!
Quando tu morreres, eu não vou poder chorar, não vou poder fazer o meu luto, não vou poder ser a viúva...
Quando tu morreres, eu não vou saber e isso atormenta-me e faz-me pensar que de cada vez que não me respondes podes ter morrido... e isto é uma morte lenta...

Cato

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Cabelo anil

Há sempre um momento, um minuto, uma palavra, uma imagem, um som...
Há sempre um sinal que se lança e que é recebido...
Há sempre a resposta, verbal ou não, intuitiva decerto...






Há...




Sempre...



Eu sabia que continuavas aí...




Quando fores careca e eu tiver o cabelo anil!



Cato

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Livro inacabado.

As palavras estão todas juntas na minha cabeça.
Ensaiei o discurso vezes sem conta. Há já alguns anos que o ensaio, no último ano com mais rigor.

As palavras estão todas juntas na minha cabeça.
E penso: é amanhã. de amanhã não passa. é depois da data X. depois da data X não passa.

As palavras estão todas juntas na minha cabeça.
Preciso que elas saiam.

As palavras estão todas juntas na minha cabeça.
Mas dói.
Frustração.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

... quando o buraco não tem fundo...
... as paredes são companheiras...
... o silêncio...
... o vazio...
... a certeza...
... a frustração...
... o grito estrangulado...
... a recusa...
... a cegueira...
... a mudez...
... a inação...
... os estilhaços...
... as estúpidas migalhas de nada...

Não é nada disto. Isto não é nada.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Erva daninha

A erva daninha cresce em qualquer lado. Podemos arrancá-la, retirar até a raiz, mas a verdade é que ela acaba sempre por surgir nos mais ínfimos espaços e de repente... sem anunciar... sem nada o prever.


A erva daninha está sempre lá. Por vezes parece extinta, porém basta um mover de olhos, o tempo de pestanejar, e ela mostra-se em todo o seu esplendor, ocupando o espaço vazio.


... até o cabelo ser anil...

Joana Cato

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Florbela Espanca - 8 de dezembro de 1894 - 8 de dezembro de 1930


MendigaNa vida nada tenho e nada sou; 
Eu ando a mendigar pelas estradas... 
No silêncio das noites estreladas 
Caminho, sem saber para onde vou! 

Tinha o manto do sol... quem mo roubou?! 
Quem pisou minhas rosas desfolhadas?! 
Quem foi que sobre as ondas revoltadas 
A minha taça de oiro espedaçou?! 

Agora vou andando e mendigando, 
Sem que um olhar dos mundos infinitos 
Veja passar o verme, rastejando... 

Ah, quem me dera ser como os chacais 
Uivando os brados, rouquejando os gritos 
Na solidão dos ermos matagais!... 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Óculos

É oficial.
A minha I. começou, ontem, a usar óculos para ver televisão e fazer os seus trabalhos de escrita/desenho!










Nota - Não tenho conseguido sequer respirar... há tantas palavras presas e falta de minutos para lhes dar vida...