terça-feira, 30 de março de 2010

Só mais uma coisinha acerca do post anterior

Agora lembrei-me de um texto que já tive oportunidade de ler para uma plateia de pais e que aqui publico. Infelizmente não sei quem é o autor. Reitero cada palavra!

Pais maus

Deus abençoe os pais maus!

Um dia, quando os meus filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva um pai, hei-de dizer-lhes:

- amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?

- amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.

- amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.

- amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: “Eu roubei isto ontem e queria pagar”.

- amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).

- amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.

- amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.

Estou contente, venci. Porque, no final, vocês venceram também. E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão-de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus …que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:

- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.

- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E – não vão acreditar – os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.

- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.

- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos, e o que fazíamos com eles.

- Eles insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.

- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer.

- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.

- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.

- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.

- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.

- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, actos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.

Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados; estamos a fazer o nosso melhor para sermos “maus pais”, tal como os nossos pais foram».

(Autor desconhecido)

6 comentários:

Viagens Low Cost disse...

Os tempos mudam... mas as necessidades mantêm-se inalteradas.

A minha essência disse...

Arrepiada... com a pregação de "maus pais" que mesmo que tenhas as tuas convicções e tudo mais, existe sempre "alguém" que te aponta o dedo. Mesmo que não queiras saber (que é o meu caso) fica sempre no ar o: porquê de ser apontada com o dedo?! Porquê? Porquê? Só estou a educar... a criar...
Como se ouve muito: elas não matam mas moem... sem dúvida!!
Por vezes é tão cruel... porque mesmo com todas as tuas convicções e saberes que é o certo para "o teu filho" ficas sempre a pensar porquê determinadas atitudes e comentários de terceiros...
Parece que tens que estar constantemente a provar aos outros! A dar satisfação... Ridículo!!

Assustador os tempos que correm!
Também fiquei chocada com o que vi no telejornal sobre o concerto. Não, não estamos "velhas" para pensar que passou tanto tempo. Os tempos são outros e etc, etc... desculpa para o panorama actual!

Medo! Pelo que os nossos filhos irão enfrentar, porque mesmo com uma boa educação e todas as convicções que se possa passar para eles (as bases) a sociedade é maior... gigante... esmaga tudo à sua volta, assim num piscar de olhos e quando dás por ti, já era!

Beijos

Kika disse...

É de pôr as mãos à cabeça!

Beijos

Incógnita disse...

Querida A Minha Essência, o problema é mesmo esse "a sociedade esmaga" e nós temos uma tarefa muito árdua, porque todos nos apontam o dedo como se as nossas convicções estivessem erradas.
Que os nossos filhos ficam zangados connosco por não lhes deixarmos fazer tudo, eu até compreendo, agora os avós e as pessoas da nossa idade nos recriminarem por isso é que eu não consigo compreender.

Ah, e o mais engraçado é a conversa do "Os outros pais deixam, eu não vou ser a má da fita!" ou "Os tempos agora são assim!". Poupem-me! Não são os outros pais que educam os nossos filhos, somos nós e também somos nós que fazemos o "tempo de agora"! Portanto, quem tem este tipo de conversa também se está a demitir da sua função com desculpas esfarrapadas!

Estou mesmo revoltada!

RJ disse...

Eu sou filha de pais "maus". Ainda não sou mãe mas tenho a certeza que serei uma "má" mãe. Os meus pais "maus" sempre me disseram que quem não tem educação em casa recebe-a na rua e a um preço alto.

A crise de valores está instalada nas famílias e por acréscimo nas escolas. Quando é que voltamos a compreender que as crianças precisam de regras, de balizas, de autoridade, de disciplina?

Grande post!

bjs

Geninho disse...

O texto é de facto muito bom porque demonstra a maneira como a sociedade vê as formas de educação.
Cabe-nos a nós, pais, dar aos nossos filhos um conjunto de valores, que nós achamos ser o mais correcto, que lhes dê bases para encarar a dura vida que terão pela frente independentemente dos juízos de valor que terceiros façam, sejam ou não familiares.
Aliás, ninguém terá moral para criticar a nossa forma de educação. Não existe um modelo educativo perfeito, porque ninguém é perfeito e os erros fazem parte do processo de aprendizagem e de formação de carácter.
Querer o melhor para os nossos filhos não pode ser criticável ainda que às vezes cheguemos à conclusão que não façamos as coisas da melhor maneira. Mas isso também é importante para nós para que também possamos melhorar.
Se seremos maus pais ou bons pais? Só o futuro o dirá. Afinal, a partir de uma determinada altura, as nossas crianças deixarão de estar sob a nossa asa e voarão sozinhos... Bjs.